quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Tudo bem que esta informação básica possa ferir os mais sensíveis, mas faz toda a diferença na espiritualidade dar o verdadeiro sentido das celebrações.
Aniversário é uma comemoração anual em que se recorda um acontecimento passado, que ocorreu em uma data definida, e que não ocorre mais. Fica apenas a lembrança.
Na liturgia, a memória, a comemoração, não é simples lembrança. É atualização. É um fato que ocorre na eternidade de Deus e que nós, no tempo, podemos participar.

Na última Ceia, Cristo instituiu o sacrifício e banquete pascal, por meio do qual, todas as vezes que o sacerdote, representando a Cristo Senhor, faz o mesmo que o Senhor fez e mandou aos discípulos que fizessem em sua memória, se torna continuamente presente o sacrifício da cruz. (Instrução Geral do Missal Romano, 72)

Se as festas litúrgicas fossem aniversários, poderíamos dizer que comemoramos aniversário da morte de Jesus Cristo na Sexta-feira Santa? Ou: por que não guardamos datas fixas para esses eventos? (Paixão, Páscoa, etc., cada ano caem em dias diferentes). A resposta é que não comemoramos datas e eventos passados, mas mistérios que se tornam presentes.

Nesse sentido, a cada Missa, de cada dia, celebramos o Natal (a Encarnação, o primeiro dos mistérios que nos tornou possível a salvação), a Paixão (cada Missa é o mesmo e único Sacrifício ocorrido na cruz, que agora ocorre no altar), a Páscoa (Jesus Cristo vive). O Ano Litúrgico existe para melhor expressar esses mistérios e como proposta de caminho espiritual baseado em cada aspecto do mistério de Cristo.

Toda a liturgia é celebração do hoje. Observe as orações. "Nesta santa noite", "este dia", etc. Nunca se diz "Há dois mil e dezessete anos atrás..." (até porque há problemas com a contagem dos anos, por conta de mudanças de calendário e erros de cálculo, que não vêm ao caso agora).

Até mesmo na tradição das Kalendas (Anúncio ou pregão do Natal), que pode ser feito antes da Missa da Noite do Natal, conta-se o tempo como se fosse hoje! O texto das Kalendas é assim:
Vinte e Cinco de Dezembro. Lua ....... (aqui se insere a lua atual. O Natal de 2017 cai em lua sétima)
Tendo transcorrido muitos séculos desde a criação do mundo,
Quando no princípio Deus tinha criado o céu e a terra e tinha feito o Homem à sua imagem;
E muitos séculos de quando, depois do dilúvio, o Altíssimo tinha feito resplandecer o arco-íris, sinal da Aliança e da Paz;
Vinte e um séculos depois da partida de Abraão, nosso pai na fé, de Ur dos Caldeus;
Treze séculos depois da saída de Israel do Egito, sob a guia de Moisés;
Cerca de mil anos depois da unção de David como rei de Israel;
Na sexagésima quinta semana, segundo a profecia de Daniel;
Na época da centésima nonagésima quarta Olimpíada;
No ano setecentos e cinqüenta e dois da fundação da cidade de Roma;
No quadragésimo segundo ano do Império de César Otaviano Augusto;
Quando em todo o mundo reinava a paz, Jesus Cristo, Deus Eterno e Filho do Eterno Pai, querendo santificar o mundo com a sua vinda, tendo sido concebido por obra do Espírito Santo, tendo transcorrido nove meses, nasce em Belém da Judeia da Virgem Maria, feito homem:
Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo a natureza humana.
R. Graças a Deus.
Enfim, é melhor não tratar o Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo como se fosse um aniversário. É um mistério de nossa salvação. Cantar "Parabéns pra Jesus", então, nem se fale!

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3 comentários :

  1. Caro Márcio Carvalho, parabéns pelo artigo. Permita-me apenas uma correção. No Natal não se comemora a Encarnação. Mas, sim, a vinda do Messias ao mundo. A Encarnação é comemorada em 25 de Março, por ocasião da Anunciação do Arcanjo Gabriel. É pelo "faça-se"dito pela Santíssima Mãe de Deus que o Verbo encarna e se dá início ao processo de gestação de Sua natureza humana.

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    1. Muito obrigado pela precisão. De fato, a Encarnação se dá na concepção, do qual o Natal é consequência visível. Mas ainda assim não é um erro. A liturgia toda fala da Encarnação. Et Verbo carum facto est. Feliz Natal.

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  2. Muito bom a catequese obrigado por nos manter instruídos sobre as verdades católicas.

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