quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Um leitor nos questiona, espantado, "por que a Igreja esconde que Lúcifer não é o diabo, mas Jesus Cristo?"
Essa é uma daquelas "confusões dos diabos" que as pessoas fazem, principalmente após ler qualquer bobagem na internet.
 
Qualquer católico médio, que estudou bem o catecismo, sabe responder isso. Mas vamos ajudar:
Não se pode dizer que "Roma" ou "Jerônimo" "nos enganou" (como o questionador supôs), porque nunca disseram nada a respeito. Consulte o Catecismo da Igreja Católica e verá que não aparece em lugar algum menção ao nome próprio Lúcifer: nos números 391 e seguintes está a doutrina sobre os anjos caídos. A Igreja chama ao chefe dos demônios de Diabo (do grego) ou Satanás (do hebraico). São sinônimos. Igualmente, nem os catecismos mais antigos citam o diabo com o nome de Lúcifer.
Na Bíblia, também, não aparece o termo lucifer (latim: brilhante, portador de luz) referindo-se ao diabo. Há vários textos que traduzidos para o latim soam como lucifer: Is 14,12, Jó 11,17, 2Pe 1,19, Ap 22,16.
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E ainda: a Igreja tem um Santo de nome Lúcifer! https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcifer_(bispo)
Este era anterior a São Jerônimo, tanto que São Jerônimo escreveu sobre ele, na obra ALTERCATIO LUCIFERIANI ET ORTHODOXI (Altercação entre Luciferianos e Ortodoxos), contando sobre os debates do bispo São Lúcifer contra os arianos. Vê-se que não pode ter sido São Jerônimo quem produziu essa confusão.

Na Vigília Pascal, até hoje, canta-se um canto que, em latim, pronuncia-se a palavra lucifer (lê-se lutifer), referindo-se à luz do Círio Pascal aceso, que simboliza o Cristo! https://padrepauloricardo.org/blog/lucifer-no-vaticano-e-a-exploracao-da-ignorancia
Então, como surge o nome Lúcifer como nome próprio do diabo?
Como vimos, não pode ter sido antes do século V. Mas a partir daí, fazendo um paralelo com a doutrina sobre os anjos caídos, nos tempos em que se falava latim pode ter surgido essa associação de nomes no meio popular, pois a doutrina católica diz que o primeiro anjo mau a se rebelar era antes muito próximo de Deus, por isso luminoso (numa linguagem figurada, pois anjos são espíritos sem matéria). Assim, ao explicar em latim que era um anjo bom, luminoso (lucifer), alguns acabaram dando a esse anjo mais um nome: Lúcifer!
Também pode ter ocorrido a associação com o texto de Is 14,12, que diz: "Caíste dos céus, astro brilhante, filho da aurora! Foste abatido por terra, tu que prostravas as nações!"  - É uma profecia contra o rei da Babilônia, que acabou sendo associado à história da queda dos anjos.

Portanto, trata-se de um nome popular, assim como capeta, tinhoso, coisa ruim, etc., ainda que teólogos o tenham usado.
Note que esse nome só é usado popularmente, no cinema e na literatura. Nunca na doutrina da Igreja, raramente por algum teólogo.
A Igreja Católica tem uma doutrina certa, sólida e clara. Não engana ninguém. Basta querer aprendê-la e não dar ouvidos aos ignorantes.


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