quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015



Perguntas enviadas para a fanpage Cursos Católicos:

Jejum e 40 dias


"Um dia eu estava lendo o livro de Êxodo e li uma passagem em que Moisés também fez 40 dias e 40 noites só rezando e sem comer. Será que podem me explicar isso, já que a igreja católica só nos ensina que Cristo foi único a fazer isso?"


Jesus Cristo não foi o único. Os quarenta dias e quarenta noites aparecem em várias passagens da bíblia. É um tempo bastante simbólico.
Foi o tempo de chuva do dilúvio (Gn 7,4.12.17). Foi o tempo gasto no embalsamamento de Israel (Jacó), por seu filho José no Egito.  Também, “Moisés ficou junto do Senhor quarenta dias e quarenta noites, sem comer pão nem beber água. E o Senhor escreveu nas tábuas o texto da aliança, as dez palavras.” (Êxodo 34, 28). Também foi o tempo da exploração da terra prometida e o tempo, em anos, que o povo ficou no deserto até lá chegar: “Explorastes a terra em quarenta dias; tantos anos quantos foram esses dias pagareis a pena de vossas iniqüidades, ou seja, durante quarenta anos, e vereis o que significa ser objeto de minha vingança.” (Números 14, 34)
Foi também o tempo que Golias atormentou Judá, antes de ser derrotado por Davi: “O filisteu aproximava-se pela manhã e pela tarde, e isso por quarenta dias seguidos.” (I Samuel 17, 16). “Elias levantou-se, comeu e bebeu e, com o vigor daquela comida, andou quarenta dias e quarenta noites, até Horeb, a montanha de Deus.” (I Reis 19, 8)
Foi o castigo anunciado por Jonas: “Daqui a quarenta dias Nínive será destruída.” (Jonas 3, 4)
http://loja.cursoscatolicos.com.br/subiacoPor estes textos, fica claro seu significado: é um tempo simbólico de penitência, de combate espiritual, de preparação. Os 40 dias “sem comer e beber” de Moisés, Elias e Jesus Cristo não significa privação total de alimento. Isso seria impossível ao corpo humano por 40 dias. Mas, de fato, foi um jejum severo, pois não há alimento adequado nem nas montanhas nem no deserto.

 

Cinzas


"Poderia me explicar sobre o que seria a missa de cinzas? O significado das cinzas na testa?"

É um sinal de penitência, de arrependimento dos próprios pecados. "É por isso que me retrato e arrependo-me no pó e na cinza". (Jó 46,2) "Lembra-te que és pó, e ao pó hás de tornar", lembrando nossa condição miserável.
As cinzas já eram usadas pelos israelitas como sinal de penitência: “Para quem se tiver assim manchado, tomar-se-á da cinza da vítima queimada pelo pecado, e se deitará por cima dela, dentro de um vaso, água viva.” (Números 19, 17)
“Quando Mardoqueu soube o que se tinha passado, rasgou suas vestes, cobriu-se de saco e cinza, e percorreu a cidade, dando gritos de dor. (Ester 4, 1)”
“Jejuaram aquele dia, vestiram-se com sacos, cobriram a cabeça com cinza e rasgaram suas vestes.” (I Macabeus 3, 47)
“Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir-lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza.” (Daniel 9, 3)
No Novo Testamento também encontramos referências:
“Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e a cinza.” (São Mateus 11, 21; São Lucas 10,13)

***

Testemunhas da Igreja Antiga
Teologia da Oblação beneditina secular
Silêncio da Cartuxa
São João Cassiano, vol. III - Conferências 16 a 24
São Bento, vida e milagres (São Gregório Magno)
Fontes: Os Místicos Cristãos dos primeiros séculos. Textos e comentários


Livro de espiritualidade monástica e patrística:

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Documento afirma que homilia não deve ser longa nem improvisada, mas preparada com estudo e atenta à realidade da comunidade local
Agência Ecclesia / Canção Nova
Coletiva de apresentação do Diretório Homilético/ Fonte: Agência Ecclesia
Coletiva de apresentação do Diretório Homilético/ Fonte: Agência Ecclesia

A Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos (CCDDS), apresentou nesta terça-feira, 10, um novo diretório para ajudar sacerdotes e seminaristas a prepararem as suas homilias, pedindo que estas evitem a improvisação.
“A homilia não pode ser improvisada, é preciso que quem a pronuncia saiba e reavive em si sem cessar a consciência do que a Igreja lhe pede”, declarou, em coletiva de imprensa, Dom Arthur Roche, secretário da Congregação.
O diretório homilético pretende fornecer um conjunto de “linhas mestras” que ajudem a inspirar quer os membros do clero quer os futuros padres para o desempenho da sua missão.
http://loja.cursoscatolicos.com.br/artedapregacao
Confira aqui: A arte da pregação sagrada
Nesse sentido, recomenda que a homilia seja preparada com estudo, não seja demasiado longa e se mostre atenta à atualidade e à vida da comunidade concreta em que é pronunciada.
Articulado em duas partes, o documento debruça-se sobre “a natureza, a função e o contexto peculiar da homilia”, ao mesmo tempo que enuncia “as coordenadas metodológicas e de conteúdo que o sacerdote deve conhecer” e “levar em consideração ao preparar e pronunciar a homilia”.
A obra vai ao encontro da preocupação manifestada pelo Papa Francisco acerca desta matéria, na sua exortação apostólica ‘A alegria do Evangelho’, na qual refere que “a pregação dentro da liturgia requer uma séria avaliação por parte dos pastores”.
O prefeito da Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, disse aos jornalistas que a homilia exige “formação espiritual”, que vai além da “eloquência” ou da “técnica”, porque é preciso falar “daquilo que se vive”.
O Bispo admitiu que, em relação à duração das homilias, há diferenças culturais, porque 10 ou 15 minutos de intervenção na Europa podem ser “muito” e na África podem ser insuficientes, embora o diretório proponha como orientação de base uma maior brevidade.
A homilia, que acontece durante a Missa, após a proclamação do Evangelho, está reservada aos “ministros ordenados” (bispos, sacerdotes e diáconos), como um “serviço litúrgico”, segundo “a fé da Igreja e não de forma pessoal”.
Após o Sínodo dos Bispos de 2008, dedicado à Palavra de Deus, o Papa Bento XVI sublinhou a necessidade de melhorar a qualidade das homilias, uma preocupação retomada por Francisco, seu sucessor.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

A Summa realmente não é de um estilo ao qual estejamos acostumados. Acredite: Santo Tomás escreveu essa Summa para os INICIANTES em Teologia. Foi um avanço em linguagem e estilo MAIS FÁCEIS para a época. É que todos os estudantes daquele tempo tinham noções mais sistemáticas de todas as áreas, principalmente filosofia, através do Trivium e Quatrivium.

Mas o básico para entender é o seguinte:

A Suma é dividida em três partes ou tomos. A terceira ficou incompleta com a morte repentina do Doutor Angélico, e seus alunos, principalmente Frei Reginaldo, seu secretário, completaram com um Suplemento.
A primeira parte fala da Doutrina Sagrada, ou simplesmente, Teologia. Ali ele discute o que é, do que trata, qual o objeto. O objeto da Teologia é Deus, então ele vai falar sobre Deus e sua "descida", ou Revelação, que é o conteúdo da doutrina sagrada. É a parte que estamos estudando.
http://loja.cursoscatolicos.com.brA segunda parte fala da "subida" do homem até Deus (principalmente temas morais). Essa segunda parte é divida em duas partes, então nas citações pode aparecer assim: Ia IIae (prima secundae = primeira parte da segunda parte) ou IIa IIae (secunda secundae = segunda parte da segunda parte).
A terceira parte fala da síntese entre a descida e a subida de Deus = Jesus Cristo. Trata de Cristologia e dos Sacramentos.
Cada uma das partes é dividida em questões. Cada questão é dividida em artigos. Assim, aparece nas citações da Suma, por exemplo: I, q. 20, a. 4, significa: primeira parte, questão 20, artigo 4.
Cada artigo é escrito para responder uma hipótese, por exemplo, se Deus existe. Primeiro ele enumera alguns argumentos negativos: "Parece que Deus não existe, pois... 1, 2, 3...", utilizando argumentos lógicos ou baseado em autores. Depois dá um argumento de autoridade favorável: "Mas, em contrário... diz (Agostinho, Aristóteles, a Escritura...)...". Por fim, dá uma Solução. É nesta solução que está a resposta principal de Santo Tomás para a questão. Depois ele responde um a um daqueles primeiros argumentos em contrário.
A dica para ler a Suma, para nós que não estamos acostumados ao estilo, é ler primeiro a Solução. Se quiser, leia as respostas às objeções (se ficar meio perdido sobre que objeção está respondendo, basta ler a objeção enumerada, no começo do artigo).
Outra dificuldade que pode ocorrer é quanto ao vocabulário. Ele utiliza termos da filosofia clássica, principalmente de Aristóteles, como hábito, essência, substância, ato, potência, movimento. O jeito é pesquisar um pouco sobre isso em boas fontes de filosofia.

Uma versão online da Suma em português pode ser acessada aqui (aponte no menu Suma Teológica para ver as partes)


Muitos se espantaram com a retomada do processo de beatificação de Dom Oscar Romero, mas por conta das informações superficiais e slogans a seu respeito.
Desde seu assassinato, os "teólogos da libertação" o pegaram para mártir da causa, e não mártir da fé católica. Tanto é assim que as manchetes sobre sua beatificação soam como se fosse uma canonização da teologia da libertação. "Maior nome da Teologia da Libertação será beatificado", estamparam alguns jornais.
Ora, Dom Oscar Romero nunca compactuou com a TL marxista.


Na realidade, Romero buscou uma solução pacífica para os problemas de El Salvador.
Em sua terceira carta pastoral, escrita em 1978, Romero condenou a violência da guerrilha esquerdista como "terrorista" e "sediciosa". Na quarta carta escrita um ano depois, o Arcebispo de San Salvador lembrou a nação que a violência era justificável apenas em situações extremas quando se esgotaram todas as outras alternativas, citando a teoria de guerra justa católica.
[...]
Ao mesmo tempo, compreendeu os perigos do marxismo, condenando o movimento de guerrilha marxista que aterrorizaram a classe dominante de El Salvador. Ernesto Cardenal, o monge trapista que, na década de 1980, foi ministro no governo de sandinista da Nicarágua, escreveu que antes de se tornar um cristão, primeiro deve tornar-se um marxista-leninista. Romero rejeitou-o: seu herói pessoal foi Papa Pio XI, para resistir ao fascismo e comunismo ao mesmo tempo.
[...]
Romero também ficou a parte da teologia da libertação, distinguindo entre a libertação do comunismo e a libertação que Cristo oferece. Na década de 1980, alguns sacerdotes latino-americano, inspirados pelo marxismo, queriam negar a comunhão para os ricos. Romero resistiu, dizendo em uma homilia de 1979: "nós não somos demagogicamente a favor de uma classe social; Nós somos a favor do Reino de Deus, e nós queremos promover justiça, amor e compreensão, onde quer que haja um coração bem disposto."
[...]
Um dos mais firmes apoiantes da beatificação do Romero foi o Papa Bento XVI. Antes e depois da sua eleição ao papado ele expressou seu entusiasmo pela causa, indo tão longe a ponto de dizer que "sem dúvida" Dom Romero será declarado beato um dia.
 http://www.firstthings.com/web-exclusives/2013/03/oscar-romeros-exaggerating-critics

Dom Romero 
"viveu como devoto filho da Igreja, como se depreende das fontes primárias das quais dispomos. Da carta que consta nesse link, enviada ao Papa em favor de S. Josemaría Escrivá (durma-se com um barulho desse: acusam de ser da Teologia da Libertação um bispo que se rasga de elogios ao Opus Dei!), destaco só duas passagens, curtas mas bem representativas do senso de prioridades do falecido bispo de San Salvador (grifos do original):
Conheço faz muito tempo o trabalho do Opus Dei aqui em El Salvador, e posso testemunhar o sentido sobrenatural que o anima e a fidelidade ao magistério eclesiástico, que caracteriza este trabalho.
[…]
Neste mundo tempestuoso, invadido por insegurança e dúvida, a excelente fidelidade doutrinária que caracteriza o Opus Dei é um sinal da graça especial de Deus.
Parece-me evidente, assim, que a canonização de um homem desses não pode jamais ser vista como uma chancela à Teologia da Libertação de cunho marxista, já incontáveis vezes condenada pela Igreja Católica. Ressuscitar este cadáver já putrefato, como já expliquei aqui, seria claramente retroceder os ponteiros do relógio da História – coisa que o Papa Francisco já deixou bem claro que não gosta de fazer.
 http://www.deuslovult.org/2013/04/24/dom-oscar-romero-e-a-teologia-da-libertacao/

Atualização (13/02/2015): Em vídeo, seu secretário pessoal afirma que ele nunca se interessou pela TL; apesar de receber muitos livros sobre, nunca sequer os abriu.  https://www.aciprensa.com/noticias/video-mons-romero-nunca-se-intereso-por-la-teologia-de-la-liberacion-asegura-su-secretario-personal-42365/

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Por Pe. José Eduardo

Vocês já notaram que a "opção preferencial pelos pobres" foi desaparecendo ou se ressignificando no vocabulário da TL? Isto se deve a dois motivos principais:
- em primeiro lugar, à compreensão que o movimento revolucionário teve de que a "revolução sexual" era mais importante do que se imaginava a princípio, pois chegaram à conclusão de que era a família, e não propriamente a propriedade privada, a origem da psicologia do poder, verdadeira causa da desigualdade sócio-econômica.
- em segundo lugar, ao fato de que, com a ascensão dos partidos socialistas ao poder na América Latina, falar sobre os "pobres" seria um "tiro no pé", e isto para qualquer uma das facções comunistas. Como eles louvam dia e noite o presumido fato de que retiraram não sei quantos milhões da pobreza, teologar sobre ela seria um contra-senso, uma anti-propaganda.
Contudo, como dizia Marilena Chauí num seu odioso vídeo, o discurso TL-petista tem um vício que contradiz seu intento revolucionário: dizendo ter melhorado a vida do pobre, o único resultado que alcançaram foi expandir a classe média, a pseudo-burguesia que eles tanto odeiam.
Por isso, era necessário encontrar um novo tipo de "pobre", pois não serviriam mais os tais "despossuídos" das décadas de 80 e 90. E eles o encontraram naquilo que Gramsci chamava de lumpemproletariado, aquele estrato maltrapilho (moral e economicamente) da população, que sempre existe e existirá em qualquer sociedade.

Os novos pobres são os gays, as prostitutas, os delinquentes, os pervertidos morais, os cultivadores de lixo cultural, da anti-arte, os satanistas, enfim, aqueles que sempre foram considerados elementos desagregadores da sociedade.
Além destes, para dissimularem um pouco este horror grotesco, forjaram ainda outro tipo de pobre: a natureza, e aderiram ao discurso ecologista, trocando a "opção pelos pobres" por uma "opção pela vida", não necessariamente humana, e quanto mais se entra dentro do submundo "intelectual" do partido, necessariamente não-humana (os eco-teólogos-libertadores já chegaram a escrever que o homem é um vírus no planeta, e que deveria ser eliminado).
A ironia por trás de toda esta estupidez é o fato de que, pelo menos no âmbito da teologia da libertação, aquilo que se dizia nas décadas passadas quando se alegava que a Igreja sempre optou pelos pobres e não necessitava da TL para fazê-lo (vide o exemplo de S. Francisco e dos frades mendicantes) era que o mérito da TL consistia no fato de ter descoberto o "pobre como classe econômica" como "categoria teológica".
Agora, os fatos demonstram que a alegação era tão falsa como a abordagem teológica mesma. Os pobres são tão descartáveis nela quanto estas mesmas novas suas definições. A única coisa a que se prestam é à aquisição ou manutenção do poder político, utilizando-se a Igreja como instrumento para chegar a ele.
Não se admirem caso dentro de alguns meses as paróquias comecem a ser invadidas pelo lumpemproletariado, e ao seu lado esteja alguém que você nunca imaginou que pudesse estar dentro duma Igreja. Na década de 80, quando as comunidades começaram a ser invadidas pelos comunistas, que até então se declaravam ateus, aquilo parecia impossível. Hoje, duplas LGBT querem batizar seus "filhos", apadrinhar filhos alheios, assentar seus novos nomes transex nos registros paroquiais e até mesmo casarem-se na igreja.
Alguns pensam que isto é casual, "sinal dos tempos". Não o é. São os novos pobres da TL que estão chegando, com Bíblia Pastoral nas axilas e cartilhas da PJ de tira-colo. O discurso está pronto e há quem o defenda. Oxalá estejamos preparados para desmascarar o ardil, e revelar que ninguém está preocupado com eles e com sua conversão, mas apenas em usá-los como instrumento de subversão, de domínio e de permanência no poder. Afinal de contas, se acabarem com o lumpemproletariado, não haverá mais revolução. Urge, então, mantê-los na delinquência moral, e até criar uma "moral" teológica para os manter aí. Caso contrário, também eles aderirão à moral burguesa, cristã, conservadora. E de tal mal, livre-nos Gaia, valha-nos Marilena Chauí.
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