sábado, 22 de novembro de 2014

CAPÍTULO III
A PESSOA E OS SEUS DIREITOS - II. A PESSOA HUMANA «IMAGO DEI»
b) O drama do pecado
116 [...]A conseqüência do pecado, enquanto ato de separação de Deus, é precisamente a alienação, isto é, a ruptura do homem não só com Deus, como também consigo mesmo, com os demais homens e com o mundo circunstante: «a ruptura com Deus desemboca dramaticamente na divisão entre os irmãos. Na descrição do “primeiro pecado”, a ruptura com Javé espedaçou, ao mesmo tempo, o fio da amizade que unia a família humana; tanto assim que as páginas do Gênesis que se seguem nos mostram o homem e a mulher, como que a apontarem com o dedo acusador um contra o outro; depois o irmão que, hostil ao irmão, acaba por tirar-lhe a vida. Segundo a narração dos fatos de Babel, a conseqüência do pecado é a desagregação da família humana, que já começara com o primeiro pecado e agora chega ao extremo na sua forma social»225. Refletindo sobre o mistério do pecado não se pode deixar de considerar esta trágica concatenação de causa e de efeito.
Curso de Doutrina Social da Igreja
117 O mistério do pecado se compõe de uma dúplice ferida, que o pecador abre no seu próprio flanco e na relação com o próximo. Por isso se pode falar de pecado pessoal e social: todo o pecado é pessoal sob um aspecto; sob um outro aspecto, todo o pecado é social, enquanto e porque tem também conseqüências sociais. O pecado, em sentido verdadeiro e próprio, é sempre um ato da pessoa, porque é um ato de liberdade de um homem, individualmente considerado, e não propriamente de um grupo ou de uma comunidade, mas a cada pecado se pode atribuir indiscutivelmente o caráter de pecado social, tendo em conta o fato de que «em virtude de uma solidariedade humana tão misteriosa e imperceptível quanto real e concreta, o pecado de cada um se repercute, de algum modo, sobre os outros»226. Não é todavia legítima e aceitável uma acepção do pecado social que, mais ou menos inconscientemente, leve a diluir e quase a eliminar a sua componente pessoal, para admitir somente as culpas e responsabilidades sociais. No fundo de cada situação de pecado encontra-se sempre a pessoa que peca.
118 Alguns pecados, ademais, constituem, pelo próprio objeto, uma agressão direta ao próximo. Tais pecados, em particular, se qualificam como pecados sociais. É igualmente social todo o pecado cometido contra a justiça, quer nas relações de pessoa a pessoa, quer nas da pessoa com a comunidade, quer, ainda, nas da comunidade com a pessoa. É social todo o pecado contra os direitos da pessoa humana, a começar pelo direito à vida, incluindo a do nascituro, ou contra a integridade física de alguém; todo o pecado contra a liberdade de outrem, especialmente contra a suprema liberdade de crer em Deus e de adorá-l’O; todo o pecado contra a dignidade e a honra do próximo. Social é todo o pecado contra o bem comum e contra as suas exigências, em toda a ampla esfera dos direitos e dos deveres dos cidadãos. Enfim, é social aquele pecado que «diz respeito às relações entre as várias comunidades humanas. Estas relações nem sempre estão em sintonia com a desígnio de Deus, que quer no mundo justiça, liberdade e paz entre os indivíduos, os grupos, os povos»227.
119 As conseqüências do pecado alimentam as estruturas de pecado*, que se radicam no pecado pessoal e, portanto, estão sempre coligadas aos atos concretos das pessoas, que as introduzem, consolidam e tornam difíceis de remover. E assim se reforçam, se difundem e se tornam fontes de outros pecados, condicionando a conduta dos homens228. Trata-se de condicionamentos e obstáculos que duram muito mais do que as ações feitas no breve arco da vida de um indivíduo e que interferem também no processo de desenvolvimento dos povos, cujo retardo ou lentidão devem ser julgados também sob este aspecto229. As ações e as atitudes opostas à vontade de Deus e ao bem do próximo e as estruturas a que elas induzem parecem ser hoje sobretudo duas: «por outro lado, a sede do poder, com o objetivo de impor aos outros a própria vontade. A cada um destes comportamentos pode juntar-se, para os caracterizar melhor, a expressão: “a qualquer preço”»230.
c) Universalidade do pecado e universalidade da salvação
120 A doutrina do pecado original, que ensina a universalidade do pecado, tem uma importância fundamental: «Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós» (1 Jo 1, 8). Esta doutrina induz o homem a não permanecer na culpa e a não tomá-la com leviandade, buscando continuamente bodes expiatórios nos outros homens e justificações no ambiente, na hereditariedade, nas instituições, nas estruturas e nas relações. Trata-se de um ensinamento que desmascara tais engodos.
A doutrina da universalidade do pecado, todavia, não deve ser desligada da consciência da universalidade da salvação em Jesus Cristo. Se dela isolada, gera uma falsa angústia do pecado e uma consideração pessimista do mundo e da vida, que induz a desprezar as realizações culturais e civis dos homens.


225 João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et paenitentia, 15: AAS 77 (1985) 212-213.
226 João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 214. O texto explica, ademais, que esta lei da descida, e esta comunhão no pecado, em razão da qual uma alma que se rebaixa pelo pecado arrasta consigo a Igreja, e, de certa maneira, o mundo inteiro, corresponde uma lei de elevação, o profundo e magnífico mistério da Comunhão dos Santos, graças à qual se pode dizer que cada alma que se eleva, eleva o mundo.
227 João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et paenitentia, 16: AAS 77 (1985) 216.
* João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 36.37: AAS 80 (1988) 561-564; cf. João Paulo II, Exort. apost. Reconciliatio et pænitentia, 16: AAS 77 (1985) 213-217.
228 Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1869.
229 Cf. João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 36: AAS 89 (1988) 561-563.
230 João Paulo II, Carta encicl. Sollicitudo rei socialis, 37: AAS 89 (1988) 563.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

É um campo em que cabem muitas opiniões, porque não é um tema essencial para a fé e a salvação das almas saber o modus operandi da mente de Jesus, porém temos que ter o cuidado de não afetar o essencial de sua mensagem.

Em resumo da questão, eu diria que Jesus tinha plena consciência de si e de sua missão, incluindo vários aspectos do futuro, em virtude daquilo que Ele "viu do Pai", da sua união hipostática. A consciência, porém, não precisa ser absoluta e imediata, mas progressiva e somente naquilo que era necessário.

O que a Igreja já formulou a respeito, são as quatro proposições seguintes. Estão no documento, em espanhol: A consciência que Jesus tinha de si mesmo e de sua missão. No texto completo há mais comentários.

1 - La vida de Jesús testifica la conciencia de su relación filial al Padre. Su comportamiento y sus palabras, que son las del «servidor» perfecto, implican una autoridad que supera la de los antiguos profetas y que corresponde sólo a Dios. Jesús tomaba esta autoridad incomparable de su relación singular a Dios, a quien él llama «mi Padre». Tenía conciencia de ser el Hijo único de Dios y, en este sentido, de ser, él mismo, Dios.

2 - Jesús conocía el fin de su misión: anunciar el Reino de Dios y hacerlo presente en su persona, sus actos y sus palabras, para que el mundo sea reconciliado con Dios y renovado. Ha aceptado libremente la voluntad del Padre: dar su vida para la salvación de todos los hombres; se sabía enviado por el Padre para servir y para dar su vida «por la muchedumbre» (Mc 14, 24).
3 -
Para realizar su misión salvífica, Jesús ha querido reunir a los hombres en orden al Reino y convocarlos en torno a sí. En orden a este designio, Jesús ha realizado actos concretos, cuya única interpretación posible, tomados en su conjunto, es la preparación de la Iglesia que será definitivamente constituida en los acontecimientos de Pascua y Pentecostés. Es, por tanto, necesario decir que Jesús ha querido fundar la Iglesia.
4 -
La conciencia que tiene Cristo de ser enviado por el Padre para la salvación del mundo y para la convocación de todos los hombres en el pueblo de Dios implica, misteriosamente, el amor de todos los hombres, de manera que todos podemos decir que «el Hijo de Dios me ha amado y se ha entregado por mí» (Gál 2, 20).

Também convido-os a ler o comentário da mesma Comissão Teológica Internacional na notificação sobre as obras de Jon Sobrino, da teologia da libertação, no item V. A auto-consciência de Jesus Cristo, n. 8.

Não é possível separar, sem perigo de cair nas velhas heresias, o que seria da natureza humana e o que seria da natureza divina em Jesus. A consciência de Jesus, segundo os documentos citados acima, é consequência de sua divindade:


"A consciência filial e messiânica de Jesus é a consequência directa da sua ontologia de Filho de Deus feito homem. "
"Jesus, o Filho de Deus feito carne, tem um conhecimento íntimo e imediato do seu Pai, uma “visão” que certamente vai para além da fé. A união hipostática e a sua missão de revelação e redenção requerem a visão do Pai e o conhecimento do seu plano de salvação. "
“Os seus olhos [os de Jesus] permanecem fixos no Pai. Precisamente pelo conhecimento e experiência que só Ele tem de Deus, mesmo neste momento de obscuridade Jesus vê claramente a gravidade do pecado e isso mesmo fá-l’O sofrer."
“Pela sua união com a Sabedoria divina na pessoa do Verbo Encarnado, o conhecimento humano de Cristo gozava, em plenitude, da ciência dos desígnios eternos que tinha vindo revelar"
Jesus atribui à sua morte um significado em ordem à salvação; de modo especial Mc 10,45 (Mt 20,28): “o Filho do homem não veio para ser servido mas para servir e a dar a vida como resgate de muitos”; e as palavras da instituição da Eucaristia: “Este é o meu sangue da aliança, que será derramado por muitos”
Lembro-me também da sua agonia: "Pai, afasta de mim esse cálice", e antes ainda:
Mc 8,31-33 (cf. Mt 16,21-28), em algum lugar perto de Cesareia de Filipe, após a confissão de Pedro. “Então começou a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do homem padecesse muitas coisas, que fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, que fosse morto e que depois de três dias ressuscitasse”
Mc 9,30-32: “O Filho do homem será entregue às mãos dos homens, e tirar-lhe-ão a vida; e depois de morto, ressurgirá ao terceiro dia. Mas eles não compreendiam estas palavras, e temiam interrogá-lo.”
Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze, e em caminho lhes disse: Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado, e ao terceiro dia ressuscitará. (Mt 20,17-19).
Com o método histórico-crítico e, pior, ligado à teologia da libertação, essas e outras passagens foram destituídas de valor real, mas seriam reconstruções. A Notificação citada diz, simplesmente, sobre isso: "Os dados neo-testamentários são substituídos por uma hipotética reconstrução histórica, que é errada."
Se negarmos a consciência de Jesus do seu sofrimento, podemos negar o caráter de dom e de sacrifício de sua morte. Como disse antes, pode-se admitir um crescimento nessa consciência divina, mas nunca para depois do início de sua missão pública. Isso explica também o porque do seu escondimento e fuga daqueles que já no início queriam fazê-lo rei.

Jesus: Revelação de Deus Abbá

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mc 13,31: “Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão”.

A proximidade do fim do ano litúrgico, que culmina com a solenidade de Cristo, Rei do Universo, nos traz à memória os ditos de Jesus sobre a consumação da história.

A vida humana é marcada pela instabilidade e incerteza quanto ao futuro. O fim da história de cada um pode se dar a qualquer momento. O próprio Jesus admite que só o Pai conhece o dia e a hora final (Mc 13,32). Diante desta angústia humana, apresenta-se-nos algo definitivo: o sacrifício redentor do Cristo (Hb 10,12). Uma vez para sempre, foi aberta a possibilidade da vida feliz sem fim para além da morte. O único capaz de vencer a morte assumiu a condição de criatura para elevar consigo tudo e todos. Pela ressurreição, Cristo nos deu aquilo que não nos pertencia e não merecíamos, a vida plena em Deus, elevando à perfeição a obra de amor iniciada na criação. Como sinal dessa aliança, Jesus instituiu a Eucaristia como memorial de sua paixão e morte. Por ela, atualizamos e perpetuamos o sacrifício único e definitivo de Jesus, até que ele venha pôr fim à angústia da criação.

Somente Deus é definitivo, eterno, completo. Sempre falta algo nos seres criados. Se não faltasse, não seriam criaturas. Assim, não há nada de definitivo que podemos nos apoiar senão nas palavras de Jesus. “Passarão o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13,31). Se alguém se apega às coisas que passam, esse pode passar junto com as coisas.

***
 
Os três últimos domingos que encerram o ano litúrgico, no ciclo de São Lucas, relatam a última viagem de Jesus a Jerusalém, onde haveria de morrer. O discurso, porém, é sobre os nossos últimos dias.
 
“Tudo será destruído”, é a advertência de Jesus. Diante da tendência de algumas épocas ou grupos de ver nas guerras, calamidades e perseguições o indício de um fim muito próximo, ouvimos: “É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. Grande perseguição à Igreja foi prenunciada. Em última análise, a perseguição é ao próprio Cristo: “Todos vos odiarão por causa do meu nome.” Àqueles que permanecerem fiéis a esse Nome será certa a vida, não esta que passa, mas a futura.
 
Se o fim dos tempos anunciado pelo Cristo e ensinado pela Igreja não pode ser previsto, o fim de cada indivíduo é certo e vem em breve. São Paulo adverte que isso não é motivo de para quietismo ou ociosidade, mas todos devem trabalhar e cooperar com a graça divina. A caridade cristã não permite a acomodação e a resignação passiva, nem o extremo oposto do pietismo, que pretende comprar a salvação por meio das muitas obras.
 
O fim dos tempos, tanto no plano individual quanto no universal, é motivo de esperança e alegria, conforme o salmista: “Exultem na presença do Senhor, pois ele vem, vem julgar a terra inteira. Julgará o universo com justiça e as nações com equidade”. Porque Deus é justo, e sua justiça é a misericórdia.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014


http://loja.cursoscatolicos.com.br/cursobiblico-antoniorivero

É essencial planejar qualquer tipo de curso. Nos cursos que pretender ensinar aos católicos a se familiarizar e a entender a Bíblia, não basta pegar uma Bíblia, ler textos e fazer comentários. Pior ainda se ficar fazendo interpretações livres.
Há toda uma introdução a se fazer e várias coisas a se conhecer antes de ir ao texto bíblico.
Apresentamos uma sugestão de roteiro básico a ser desenvolvido em cursos bíblicos.

1 NOÇÕES GERAIS E MANEJO DA  BÍBLIA
Nem todos sabem ler e fazer citações bíblicas, nem como se subdivide e como se encontram os diversos livros. Explicar de acordo com o público.

2 Revelação, Escritura e Tradição
Explicar que a Bíblia não é a única fonte de fé para o católico. Pode-se utilizar todo o documento Dei Verbum. É importante distinguir o que é a Tradição da Igreja e qual o papel do Magistério, sem os quais não teríamos Bíblia.

3 A HISTÓRIA DA SALVAÇÃO
Explicar qual é o assunto de toda a Bíblia e fazer esse resumo. É uma catequese, um kerigma, então pode-se utilizar a primeira parte do Catecismo da Igreja Católica.


4 PANORAMA HISTÓRICO-LITERÁRIO-GEOGRÁFICO DA BÍBLIA
Falar um pouco da História geral do ambiente bíblico, do tempo de composição, dos autores humanos. Pode ser útil se utilizar de mapas. Explicar o processo de formação dos textos, sobre os originais e as versões. Introduzir os gêneros literários.
Falar da noção de inspiração bíblica e da inerrância dos textos, que transcende os aspectos deste tópico. Pode ser útil o documento da Pontifícia Comissão Bíblica sobre a Interpretação da Bíblia na Igreja.

5 O CÂNON DA SAGRADA ESCRITURA
Deve ficar claro que a Bíblia é fruto da Igreja Católica, que catalogou e escolheu os textos sagrados entre as centenas de textos disponíveis. Explicar porque as bíblias protestantes tem menos livros.

6 PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA
Introduzir os vários sentidos dos textos e sua hierarquia (sentido literal e espiritual e suas subdivisões). Ver no documento da Pontifícia Comissão Bíblica sobre a Interpretação da Bíblia na Igreja.

7 INTRODUÇÃO AO LIVROS DA BÍBLIA
Fazer por blocos, conforme as divisões da Bíblia: Pentateuco, livros históricos, profetas, sapienciais, Evangelhos, Cartas, etc. Utilizar as introduções de boas bíblias, como a de Jerusalém, Peregrino, Ave Maria, etc.

8 ESTUDO ESPECÍFICO DOS LIVROS
Só depois dessa introdução geral é possível fazer um estudo proveitoso dos livros em separado, mantendo, porém, a unidade de interpretação de cada livro com o todo das Sagradas Escrituras.

REFERÊNCIAS:

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

A exceção que Mateus nos apresenta é “exceto em caso de porneia” (παρεκτὸςλόγου πορνείας – Mt 5.32; μὴ ἐπὶ πορνείᾳ  Mt 19.9). 

1. Há um consenso em dizer que a exceção dada por Mateus é o caso de união ilegítima, falsa, nula. O termo grego é porneia, que levou alguns tradutores a traduzir por fornicação ou adultério, mas é provável no seu "rascunho" aramaico Mateus tenha usado algum termo técnico, como zenut, desconhecido para o grego, para matrimônio nulo.
O termo é usado em Lv 18 para todos os tipos de uniões sexuais ilícitas, particularmente casos de consanguinidade. Não seria, portanto, um casamento válido, mas um concubinato. Essa interpretação é reforçada pelo caso da Igreja de Corinto (1Cor 5, o filho com a mulher do pai) em que o termo é usado.

2. Não há, em hipótese alguma, "anulação" de casamento religioso. Um casamento válido só é desfeito pela morte. É um erro de terminologia que pode levar a erro de conceitos.
Há, porém, o reconhecimento da nulidade de uma celebração matrimonial, que significa que o casamento não ocorreu, por um erro no momento do consentimento (nunca por um erro posterior), mesmo que tenha sido descoberto tempos depois de casados.

Há, segundo o Código de Direito Canônico da Igreja, dezenove motivos de nulidade (merecem um curso à parte, aqui somente a título de informação):


A. Falhas de consentimento (cânones 1057 e 1095-1102)
1. Falta de capacidade para consentir (cânon 1095)
2. Ignorância (cânon 1096)
3. Erro (cânones 1097-1099)
4. Simulação (cânon 1101)
5. Violência ou medo (cânon 1103)
6. Condição não cumprida (cânon 1102)

B. Impedimentos dirimentes (cânones 1083-1094)
7. Idade (cânon 1083)
8. Impotência (cânon 1084)
9. Vínculo (cânon 1085)
10. Disparidade de culto (cânon 1086,- cf cânones 1124s)
11.. Ordem Sacra (cânon 1087)
12. Profissão Religiosa Perpétua (cânon 1088)
13. Rapto (cânon 1089)
14. Crime (cânon 1090)
15. Consangüinidade (cânon 1091)
16. Afinidade (cânon 1092)
17. Honestidade pública (cânon 1093)
18. Parentesco legal por adoção (cânon 1094)

C. 19. Falta de forma canônica na celebração do matrimônio (cânones 1108-1123)

Somente um Tribunal Eclesiástico pode reconhecer a nulidade matrimonial. Isso é feito a partir de um processo que conta com investigação, testemunhas, depoimentos, defesa e juízes eclesiásticos.

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O Sacramento do Matrimônio: sinal da união entre Cristo e a Igreja

O Sacramento do Matrimônio: sinal da união entre Cristo e a Igreja

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Uma opinião é uma representação objetiva, um pensamento qualquer, uma fantasia que eu posso ter dum modo e outros de outro modo; uma opinião é coisa minha, nunca é uma idéia universal que exista em si e por si. Mas a filosofia não contém nenhuma opinião, porque não existem opiniões filosóficas.

E a Igreja, "mestra em Humanidades", defensora da Verdade, sempre alertou:
"A filosofia moderna, esquecendo-se de orientar a sua pesquisa para o ser, concentrou a própria investigação sobre o conhecimento humano. Em vez de se apoiar sobre a capacidade que o homem tem de conhecer a verdade, preferiu sublinhar as suas limitações e condicionalismos.

Daí provieram várias formas de agnosticismo e relativismo, que levaram a investigação filosófica a perder-se nas areias movediças dum cepticismo geral. E, mais recentemente, ganharam relevo diversas doutrinas que tendem a desvalorizar até mesmo aquelas verdades que o homem estava certo de ter alcançado. A legítima pluralidade de posições cedeu o lugar a um pluralismo indefinido, fundado no pressuposto de que todas as posições são equivalentes: trata-se de um dos sintomas mais difusos, no contexto actual, de desconfiança na verdade. [...] Neste horizonte, tudo fica reduzido a mera opinião. [...] Com falsa modéstia, contentam-se de verdades parciais e provisórias, deixando de tentar pôr as perguntas radicais sobre o sentido e o fundamento último da vida humana, pessoal e social. Em suma, esmoreceu a esperança de se poder receber da filosofia respostas definitivas a tais questões." (grifei. Fides et Ratio, 5)
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