quinta-feira, 21 de agosto de 2014

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Com esse post desejamos reunir e concluir a série de estudos que fizemos sobre as eleições presidenciais de 2014, guiados pela Doutrina Social da Igreja, e apresentar uma ajuda às consciências católicas sobre o que fazer com o voto no atual cenário político brasileiro.

É essencial ler os artigos completos. Aqui vai apenas um resumo da questão com os respectivos links.

No primeiro artigo apresentamos as Orientações para as Eleições segundo os critérios da Doutrina Social da Igreja. Vimos que o voto deve ser exercido com consciência e responsabilidade, implicando em não se abster e em analisar muito bem os candidatos e suas propostas. Os princípios básicos a serem defendidos pelos candidatos são, em resumo:
  • defesa da dignidade da Pessoa Humana e da Vida 
  • defesa da Família 
  • liberdade de Educação
  • liberdade responsável da pessoa
  • liberdade de consciência e religiosa 
  • os princípios do bem comum, da solidariedade e da subsidiariedade
  • noções corretas de "direitos humanos"
Entre outros. Também ficou claro que o Socialismo, em todas as suas vertentes, é incompatível com os princípios acima. Para quem fique em dúvida quanto a isso, indicamos alguns documentos da Igreja e alguns artigos e vídeos.

Depois, oferecemos uma Análise das propostas dos 6 principais candidatos, com uma listagem das suas propostas e uma comparação com a Doutrina Social da Igreja. 
Nesta comparação, ficou claro que os três principais candidatos, Dilma, Marina (Eduardo, à época) e Aécio, não podem receber o voto católico. Suas propostas são incompatíveis com a DSI, muitas vezes confrontantes. Veja-se nas tabelas as propostas marcadas em vermelho. São muitas.
Os outros três candidatos: Everaldo, Eymael e Fidélix, podem ser votados com consciência tranquila. Apresentam boas propostas, compatíveis e favoráveis à DSI, e não há nada que deponha contra suas pessoas ou partidos, ao contrário dos primeiros.

Pois bem. Um problema que foi apresentado pelas circunstâncias é o fato de que é urgente mudar o atual governo que está levando o país à falência, à perda de liberdade, rumo a um socialismo bolivariano, e somente o candidato Aécio Neves seria capaz de frear essa situação, pois uma eventual vitória de Marina Silva continuaria ou agravaria a situação (pois PT e PSB são socialistas).
Poderia o católico, baseado no princípio do mal menor, votar em Aécio Neves? Veja aqui suas propostas: https://db.tt/3CFVbtky

O dilema nos levou a refletir através de uma parábola: Parábola do reino de Eleison. 
Seria esta uma situação em que só teríamos duas más opções? A consequência da não escolha do suposto mal menor Aécio seria a reeleição de Dilma ou a eleição de Marina. Seriam esses dois males insuportáveis a ponto de validar o argumento do mal menor?

A resposta é NÃO. O uso do "princípio do mal menor" na política está subordinado a que o mal moral não pode ser cometido (o voto contra os princípios) em razão apenas de possíveis consequências materiais penosas. A escolha do mal menor é lícita somente quando não existe nenhuma outra alternativa, e como vimos, temos três opções. Mesmo antevendo as consequências desta escolha moral, estas seriam suportáveis, apesar de muito penosas. O mal moral é mais grave que o mal material.
Além disso, esse mau uso do princípio do mal menor corrompe-o, quando se converte em mera estratégia política, que tende a se prolongar por décadas. Isso acontece porque esse princípio (mal utilizado) será utilizado indefinidamente, canalizando os votos católicos para supostos mal menores, e nunca haverá chance para bons políticos.

Portanto, o católico só tem uma opção, graças a Deus boa: votar em um dos três "nanicos":  Everaldo, Eymael ou Fidélix. Sofreremos a consequência imediata da vitória dos maus. Mas fortaleceremos, para o futuro, os bons candidatos e, sobretudo, o mais importante, as consciências.

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Conheça:

Curso de Doutrina Social da Igreja

http://www.cursoscatolicos.com.br/2014/08/curso-de-doutrina-social-da-igreja.html

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

O que chamamos de "princípio do mal menor" pode ser expresso, em sentido amplo, da seguinte maneira:
Diante de males inevitáveis é preciso escolher o menor, e diante dos bens lícitos, é mais virtuoso escolher um bem maior.
Num primeiro sentido (amplo), o princípio do mal menor significa que, prevendo males inevitáveis, é preferível permitir o menor, escolhendo-o para evitar o mal maior.
http://loja.cursoscatolicos.com.brNum segundo sentido (mais restrito), o princípio do mal menor significa que, quando todas ou cada uma das possíveis decisões a serem tomadas são realmente negativas e não existe alternativa para tomar uma decisão, é preciso optar pela menos negativa.

No primeiro sentido, o mal menor se refere às conseqüências derivadas de uma decisão numa situação que obriga a fazer uma escolha; sendo essa situação inevitável, escolhe-se a conseqüência menos prejudicial.
No segundo sentido, refere-se, ao contrário , à decisão em si mesma, que se revela problemática no momento em que qualquer decisão é negativa; nessa situação de perplexidade, é preciso decidir-se por aquilo que parece menos mal.

Santo Tomás de Aquino concebe o mal menor como a escolha preferível entre males inevitáveis, ressaltando que o mal moral não pode ser cometido em razão de as consequências previstas representarem males menores em relação às consequências materiais penosas que o agir com retidão implica. A escolha do mal menor é lícita somente quando não existe nenhuma outra alternativa possível e os males em questão são inevitáveis; é lícito então escolher entre eles o mal menor.

Santo Afonso Maria de Liguori, no seu tratado de Teologia Moral (1755), resume o argumento do mal menor em relação à consciência assim:  
"Consciência perplexa é a de quem, diante de dois preceitos estabelecidos, acredita que pecará se escolher um ou outro; caso possa suspender a ação, é obrigado a adiá-la enquanto consulta pessoas competentes. Se não puder suspendê-la, é obrigado a escolher o mal menor, evitando transgredir o direito natural mais do que o direito humano. Se não é capaz de discernir qual seja o mal menor, faça o que fizer, não peca, porque nesse caso falta a liberdade necessária para que exista pecado formal".
Porém, quando o argumento do mal menor é empregado num contexto em que não são levadas em consideração a exigência ética da verdade moral objetiva e a existência de valores morais absolutos, mas apenas e exclusivamente as conseqüências tidas como positivas ou negativas, prescindindo da moralidade da escolha em si mesma, o argumento do mal menor degenera em sofisma.


Na encíclica Libertas (1888, n.23), Leão XIII afirma o princípio de tolerância:
“Se a tolerância [a um mal] prejudica ao bem público, ou causa ao Estado maiores males, a consequência é sua ilicitude, porque em tais circunstâncias a tolerância deixa de ser um bem."


- O princípio da tolerância é mal entendido quando se afasta do realismo são, antes aludido, e entra de cabeça em um realismo doentio, que não só produz leis imperfeitas, mas também orgina leis injustas, criminosas, contrárias a Deus, à ordem natural e ao bem comum dos homens.
Há alguns que ainda não entendem que as leis corruptas são corruptoras. Muitas leis iníquas são caminhos de perdição para o povo e conduzem à degradação moral e cultural de uma nação. É muito difícil considerá-las em sã consciência como males menores que devem ser tolerados.

- Os católicos devem aplicar o princípio da tolerância com um discernimento cuidadoso, que deve ser livre dos condicionamentos mundanos, que são falsos, sutis, contínuos e muito poderosos. Pode nos iluminar nessa questão tão delicada o ensinamento concreto que dá S. João Paulo II ao tratar das leis reguladoras do aborto. Na encíclica Evangelium vitae, de 1995, começa por advertir que “na cultura democrática do nosso tempo, acha-se amplamente generalizada a opinião segundo a qual o ordenamento jurídico de uma sociedade haveria de limitar-se a registrar e acolher as convicções da maioria e, consequentemente, dever-se-ia construir apenas sobre aquilo que a própria maioria reconhece e vive como moral”.
  
- Os partidos malminoristas, entretanto, corrompem o princípio do mal menor quando o convertem em uma estratégia sistemática de sua atividade política. Entendemos aqui por partido malminorista o partido que, conseguindo por isso ver o mal como mal, e ao mesmo tempo padecendo de uma visão liberal – o que o faz ver o mal como menor –, considera sistematicamente o mal menor como tolerável, de tal maneira que não se empenha realmente em combatê-lo e superá-lo com o bem. Sua ideia de tolerância não é a da doutrina da Igreja, mas a do liberalismo, a do relativismo ou a de filósofos como John Locke (Carta sobre a tolerância, 1689).

Um partido malminorista pode canalizar indefinidamente os votos dos católicos, cuidando bem de que não se organizem para atuar com força no campo político. Desse modo colabora não somente com a degradação do mundo secular, mas também com a debilitação progressiva da Igreja.

O malminorismo nem combate o mal, nem promove com eficácia o bem comum. Faz do mal menor um suposto histórico necessário, contínuo, progressivo, irreversível, insuperável. E no decorrer dos anos, optando uma ou outra vez pelo mal menor entre os diversos males oferecidos como opções políticas pelos inimigos de Deus e do homem, vai retrocedendo sempre, vai descendo por uma escada de males menores, cada vez maiores.

Desse modo, o malminorismo se deixa conduzir pelos maus, que tomam sempre a iniciativa, e colabora com que o povo seja conduzido ao Mal  maior, ao Mal comum, à corrupção da vida social, à degradação dos pensamentos e dos costumes. 
Será uma oposição que não opõe, e que, ainda que alcance o poder, mantém as péssimas leis estabelecidas antes pelos maus. Compreende-se bem que o idealismo dos jovens católicos não ache nenhum atrativo em um partido que, renunciando a buscar eficazmente o bem, limite-se a reduzir no possível o mal. Um partido assim poderá atrair sobretudo pelas vantagens que oferece no campo econômico, social e profissional.

- Os católicos devem negar seus votos a partidos malminoristas, pois não têm força para promover o bem nem para resistir ao mal. Esses partidos são na realidade liberais, relativistas, pessimistas, cúmplices ativos ou passivos dos inimigos de Cristo e de sua Igreja, sequestradores do voto católico, obstáculos especialmente eficazes para impedir toda influência real dos católicos na vida política e, enfim, são semipelagianos, pois, fiéis à sua “evitação sistemática do martírio”, querem manter a todo custo na política que a “parte humana” seja numerosa e respeitada pelo mundo moderno, para poder assim colaborar com a ação de Deus na busca do bem comum.

Ainda sobre eleições, num cenário em que somente se prevejam maus candidatos com "chance de ganhar", uma declaração da Conferência Episcopal Espanhola é esclarecedora:
Não se poderia falar de decisões políticas morais ou imorais, justas ou injustas, se o critério exclusivo ou determinante para sua qualificação for o do êxito eleitoral ou o do benefício material. [...] As decisões políticas devem ser morais e justas, não só consensuais ou eficazes. 

 Referências: 

O texto acima é quase integralmente e quase literalmente cópia de trechos de:
  • Conselho Pontifício para Família, Lexicon, verbete: Princípio e argumento do mal menor, 2002.
  • Pe. José María Iraburu Larreta - Extraído de: http://www.votocatolico.net.br/formacoes/ii-principios-doutrinais-3   
  • http://serlibrehoy.blogspot.com.br/2011/11/proposito-del-20-n-i-malmenoritis.html 
O reino de Eleison sofria de uma peste generalizada que infectava a tudo e a todos. Poucos sabiam as causas do problema. A maioria da população ignorava, inclusive, que estava doente. Estava entretida demais para perceber o perigo do próprio futuro.
A degradação desse reino por conta da misteriosa peste vinha de longa data, contagiada por outros reinos. Alguns destes também continuavam a padecer do mal, enquanto outros já haviam remediado a situação.
A expectativa de Eleison é de apenas um ano de sobrevivência. Se não acertarem a solução, todos perecerão.
As vacinas conhecidas eram poucas e não facilmente fabricadas, pois cada reino necessitava de uma manipulação específica, adequada ao tipo e à gravidade da situação. São necessários muitos anos para encontrar uma fórmula adequada, geralmente de quatro em quatro anos os especialistas do reino lançam algumas alternativas.
Neste ano, o reino de Eleison tem a chance de se remediar.
O custo das vacinas é o mesmo entre as concorrentes, cerca de 40 mil votins (a moeda do reino de Eleison). O valor é obtido com a contribuição de 1 votin de cada cidadão. O problema é que os cidadãos investem diretamente na empresa que fabrica a vacina, naquela que mais confiam.
Então, o reino de Eleison tem as seguintes opções:
  • Vacina 1: É a mesma que vêm usando a 12 anos, que vem agravando a situação, embora metade da população não perceba. 
  • Vacina 2: Igual à vacina 1, dos mesmos criadores, mas que mudaram de empresa recentemente, plagiando a fórmula, embora a população pense ser uma alternativa diferente, ainda mais quando lançaram um forte apelo emocional na mídia do reino com uma troca de liderança.
  • Vacina 3: Tradicional concorrência das vacinas 1 e 2, mas que mantém fórmula muito parecida, diferindo apenas na aparência do comprimido (este é azul, enquanto 1 e 2 usam corantes vermelho e vermelho esverdeado, respectivamente). Um terço da população sabe que é igual, mas pensam que pode dar uma sobrevida ao reino de pelo menos 4 anos, até encontrarem uma fórmula melhor.
  • Vacinas 4, 5 e 6: São boas vacinas, certamente melhorariam a situação, segundo os melhores especialistas. Boa parte dos cidadãos percebe isso, mas são empresas novas e muitos têm medo de investir nelas, preferindo as já consagradas, embora não consigam remediar a situação.
O que a população em geral pensa é que se investirem seu votin nas vacinas 4, 5 ou 6 poderão perder o investimento, já que a maioria vai com as três primeiras. Preferem continuar como estão (opção 1 e 2) ou dar uma pequena sobrevida (opção 3) do que acreditar e investir nas melhores opções.
Eleison tem duas escolhas, resumidamente:
  • Arriscar-se com a Vacina 4, que funciona, mas correndo o risco de não obter o apoio necessário, dando vez às opções 1 e 2, continuando o agravamento;
  • Arriscar-se com a Vacina 3, sabendo que só terão um aparente alívio. Contudo, esta estratégia lhes custará a eterna covardia da população, que nunca acreditará ser possível obter o apoio para as melhores opções.
Que fim terá Eleison? Fará a escolha heroica, correndo o risco do martírio, ou escolherá o alívio aparente?
Saberemos a decisão tomada por Eleison em alguns meses.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Nosso alerta sobre um abaixo-assinado político que ocorre nas igrejas, no postNão assine o Projeto de ‘Reforma Política’ apoiado pela CNBB!”, causou reações desfavoráveis de alguns poucos leitores. A mais contundente, que resume as demais, foi: “Se estão contra a CNBB estão contra a Igreja!”
Fato é que essas pessoas julgaram pelo título. Não leram o problema em questão.
Não somos contra a CNBB, mas contra algumas de suas ações. E isso é perfeitamente possível e CATÓLICO. Vejamos:

A missão das conferências episcopais é dar suporte aos Bispos. Ela não toma o lugar do Bispo e nem está acima dele, tendo em vista que este é de instituição divina, enquanto a conferência episcopal não. O então Cardeal Ratzinger, em seu livro "A Fé em Crise?", esclarece:
"não devemos nos esquecer que as conferências episcopais não possuem base teológica e não fazem parte da estrutura indispensável da Igreja, assim como querida por Cristo, têm somente uma função prática e concreta".
A nota explicativa prévia da Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, explica:
"1° Colégio não se entende em sentido jurídico estrito, ou seja, de um grupo de iguais, que delegam o seu poder ao que preside; mas no sentido de um grupo estável, cuja estrutura e autoridade se devem deduzir da Revelação. Por isso, na resposta ao Modo 12, se diz expressamente, acerca dos Doze, que o Senhor constituiu-os em Colégio ou grupo estável. Cfr. também o Modo 53, c. - Pelo mesmo motivo, ao tratar-se do Colégio dos Bispos, são também empregados a cada passo os termos Ordem ou Corpo. O paralelismo entre Pedro e os restantes Apóstolos por um lado, e o Sumo Pontífice e os Bispos pelo outro, não implica a transmissão do poder extraordinário dos Apóstolos aos seus sucessores, nem, como é evidente, a igualdade entre a Cabeça e os membros do Colégio, mas apenas uma proporcionalidade entre a primeira relação (Pedro-Apóstolos) e a segunda (Papa-Bispos). Daí ter a Comissão resolvido escrever no inicio do n.° 22 «pari ratione» e não « eadem ratione»."
Isto é, o Papa é a cabeça do colégio e só há verdadeiro ato colegial quando o Papa intervém. As conferências episcopais podem legislar e mandar algo nos Bispos e nas dioceses somente quando recebem um mandado do Papa.
"As conferências episcopais não constituem um intermediário entre o Bispo e a Sé de Pedro" (João Paulo II, Carta Apostólica "Apostolos suos" - 21 de Maio de 1998).
Deste modo, um documento emitido por uma conferência episcopal tem valor jurídico somente quando recebe a autoridade do bispo diocesano ou se o documento foi aprovado pela Santa Sé (pelo Papa). Neste caso o documento é válido para todas as dioceses, uma vez que trata-se de um ato colegial, pois nele está o sucessor de Pedro.
Outros documentos, comunicados, artigos, relatórios e opiniões dos membros ou comissões da CNBB têm caráter de consultoria. É aí que está sua importância. Cada bispo decide o que fazer sobre determinada questão, pois o poder de governo é do bispo.
Esclarece o Código de Direito Canônico:
"Cân. 455 § 1. A Conferência dos Bispos pode baixar decretos gerais somente nas questões em que o direito universal o prescrever, ou que um mandato especial da Sé Apostólica o estabelecer por própria iniciativa ou a pedido da Conferência mesma.
§ 2. A fim de que os decretos mencionados no § 1 possam ser baixados validamente na assembléia geral, devem ser aprovados ao menos por dois terços dos membros da Conferência que tenham voto deliberativo e só obrigam se, revisados pela Sé Apostólica, tiverem sido legitimamente promulgados.
(...)
§ 4. Nos casos em que nem o direito universal nem mandato especial da Sé Apostólica concederam à Conferência dos Bispos o poder mencionado § 1, permanece inteira a competência de cada Bispo diocesano; e a Conferência, ou o seu presidente não podem agir em nome de todos os Bispos, a não ser que todos e cada um deles tenham dado o seu consentimento."
Voltando ao assunto que deu margem a essa questão, temos que definir também onde reside e a que se limita o Magistério da Igreja. Está claro que goza de infalibilidade somente as afirmações do mesmo Magistério (o Papa e os bispos em comunhão com ele) que versam sobre fé e moral. O Papa João Paulo II, em seu motu proprio Apostulos Suos, delimita muito bem o Magistério Autêntico que pode ser emanado pelas conferências, somente na seguinte situação:
"Se as declarações doutrinais das Conferências Episcopais são aprovadas por unanimidade, podem, sem dúvida, ser publicadas em nome mesmo da Conferência, e os fiéis são obrigados a aderir com religioso obséquio de espírito àquele magistério autêntico dos seus próprios Bispos. Porém, se faltar tal unanimidade, a maioria apenas dos Bispos duma Conferência não pode publicar uma eventual declaração como magistério autêntico desta, a que todos os fiéis do território devem aderir, a não ser que obtenham a revisão (recognitio) da Sé Apostólica, que não a dará se tal maioria não for qualificada".
A questão política levantada, é claro, não é questão doutrinal. Mesmo assim, nem como opinião conseguiu o apoio da maioria dos bispos. É uma ação de uma de suas comissões. Por isso, na ação de coleta de assinaturas para o tal projeto de reforma política, dioceses inteiras, muitas, sequer ouviram falar do assunto (porque o bispo não estava de acordo).
“A hierarquia da Igreja, ou os clérigos (diáconos, sacerdotes e bispos), não deve se envolver em política partidária (das partes) que divide opiniões e a comunidade.
Aos clérigos cabe, pois, a missão de orientar o povo sobre princípios, chamar a atenção das ciladas malignas e ajudar a refletir sobre o atual momento da sociedade.” (Cardeal Orani João Tempesta http://www.cnbb.org.br/outros/dom-orani-joao-tempesta/14670-hierarquia-da-igreja-e-politica)

O Concílio Vaticano II reafirmou solenemente: «No terreno que lhe é próprio, a comunidade política e a Igreja são independentes e autônomas» (Gaudium et spes, 76
A Igreja, por outro lado, não tem um campo de competência específica no que respeita à estrutura da comunidade política: «A Igreja respeita a legítima autonomia da ordem democrática, mas não é sua atribuição manifestar preferência por uma ou outra solução institucional ou constitucional» e tampouco é tarefa da Igreja entrar no mérito dos programas políticos, a não ser por eventuais conseqüências religiosas ou morais. (Compêndio da Doutrina Social da Igreja 424)
A própria CNBB já admitiu o direito dos bispos em se manifestar contrariamente às suas orientações políticas (ver o caso do bispo de Guarulhos, que fez campanha contrária ao voto no PT, entre tantos outros).
Enfim, poderia escrever mais, mas as pessoas que precisariam ler estes esclarecimentos não lerão. Não leram os textos indicados no artigo anterior e muitos se descadastraram da nossa lista. “Lamentável”.


Referências

  1. A Hierarquia da Igreja e a política (Card. Dom Orani Tempesta - CNBB)
  2. Constituição Lumen Gentium
  3. Constituição Gaudium et Spes
  4. Compêndio da Doutrina Social da Igreja
  5. https://padrepauloricardo.org/episodios/para-que-existem-as-conferencias-episcopais
  6. Discurso do Papa Bento XVI aos bispos do Regional Centro Oeste da CNBB - 15 de Novembro de 2010
  7. Constituição Dogmática Lumen Gentium - sobre a Igreja
  8. João Paulo II, Carta Apostólica "Apostolos suos" - 21 de Maio de 1998
  9. Código de Direito Canônico
  10. J. Ratzinger - V. Messori, A Fé em Crise? O Cardeal Ratzinger se interroga. EPU, São Paulo, 1985, p.40-41.
  11. http://www.veritatis.com.br/inicio/espaco-leitor/5892-leitor-pergunta-sobre-a-autoridade-dos-documentos-da-cnbb
  12. http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/10/para-presidente-da-cnbb-bispo-de-guarulhos-agiu-dentro-da-normalidade.html

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A Santa Sé usa uma linguagem inédita para denunciar e pedir providências aos líderes islâmicos a respeitos dos crimes cometidos principalmente no Iraque.
© WELAYAT SALAHUDDIN / AFP
 
O Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-Religioso publicou um comunicado para exigir um posicionamento claro e corajoso por parte dos responsáveis religiosos, nomeadamente os muçulmanos.  Eis o texto:

O mundo inteiro testemunhou incrédulo ao que agora é chamado de "Restauração do Califado", este que foi abolido em 29 de outubro de 1923 por Kamal Araturk, fundador da Turquia moderna. A oposição a esta "restauração" pela maioria dos institutos religiosos e políticos muçulmanos não impediu que os jihadistas do "Estado Islâmico" cometessem e continuem a cometer indizíveis atos criminais.
Este Conselho Pontíficio, junto a todos aqueles engajados no diálogo inter-religioso, seguidores de todas as religiões e todos os homens e mulheres de boa vontade, pode somente denunciar e condenar, de forma inequívoca, esses atos que trazem tanta vergonha à humanidade:
- o massacre de pessoas somente pela sua fé e condição religiosa;
- a desprezível prática da decapitação, crucificação e exposição de corpos em lugares públicos;
- a escolha forçada imposta aos Cristãos e Yezidis entre a conversão ao Islã, o pagamento de um tributo (jizya) ou o exílio forçado;
- a expulsão forçada de milhares de pessoas, incluíndo crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes;
- o rapto de meninas e mulheres pertencentes às comunidades Yezidi e Cristã como despojos de guerra (sabaya);
- a imposição da prática bárbara da infibulação;
- a destruição dos lugares de fé e túmulos cristãos e muçulmanos;
- a ocupação forçada ou desacralização de igrejas e monastérios;
- a remoção de crucifixos e outros símbolos cristãos assim como aqueles de outras comunidades religiosas;
- a destruição de uma inestimável herança cultural e religiosa cristã;
- violência indiscriminada com o objetivo de aterrorizar as pessoas para que estas entregem-se ou fujam;
Nenhuma causa e, certamente, nenhuma religião, pode justificar tamanha barbárie. Isso constitui uma ofensa extremamente séria à humanidade e a Deus, como recorda frequentemente o Papa Francisco. Não podemos esquecer, todavia, que cristãos e muçulmanos conviveram em harmonia – é verdade que com altos e baixos – durante séculos, construíndo a cultura pacífica da coexistência e civilização das quais têm muito orgulho. Por outro lado, é com base nisto que, em anos recentes, o diálogo entre cristãos e muçulmanos teve continuidade e intensificou-se.
A situação dramática de cristãos, yezidis e outras comunidades religiosas e minorias étnicas no Iraque requer uma posição clara e corajosa dos líderes religiosos, especialmente muçulmanos, assim como daqueles engajados no diálogo inter-religioso e todas as pessoas de boa vontade. Todos devem ser unânimes em condenar inequivocamente estes crimes e em denunciar o uso da religião para justificá-los. Caso contrário, qual credibilidade terão as religiões, seus seguidores e seus líderes? Qual credibilidade tem o diálogo inter-religioso que, pacientemente, buscamos continuar ao longo destes anos?
Líderes religiosos também são exortados a usar sua influência junto às autoridades para colocar fim a estes crimes, para punir os responsáveis e para reestabelecer as regras da lei em todo o país, assegurando o retorno à casa daqueles que foram deslocados. Enquanto recordam a necessidade de uma direção ética das sociedades humanas, estes mesmos líderes religiosos não devem falhar ao demonstrar que o apoio, o financiamento e o armamento do terrorismo é moralmente repreensível.
Dito isto, o Conselho Pontíficio para o Diálogo Inter-religioso agradece todos que já levantaram suas vozes para denunciar o terrorismo, especialmente contra aqueles que usam a religião para justificá-lo.
Queremos, assim, unir nossa voz àquela do Papa Francisco: "Possa o Deus da paz despertar em cada um de nós o genuíno desejo para o diálogo e a reconciliação. Violência não se vence com violência. Violência se vence com a paz".
[http://press.vatican.va/content/salastampa/it/bollettino/pubblico/2014/08/12/0567/01287.html#Traduzione%20in%20lingua%20portoghese] [Texto original: Francês - Tradução não oficial]
Também o Papa Francisco pediu "intervenção" em carta endereçada ao Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon. Leia aqui.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014


Um documentário completo sobre o aborto.
(Filme com restrição de idade. Cenas perturbadoras)
https://www.youtube.com/watch?v=N8zZY7CPN5s&index=1&list=PL8NBDw2H4BNhGWwmbIDtJddo3jljne3jj

Produzido por Dr. Ivan Vaz de Melo, médico.
Cap. 1: Pecado original
Cap. 2: O início da vida (9:05)
Cap. 3: Ser ou não ser. Quem pode dizer o início da vida (19:37)
Cap. 4: O que diz a ciência (26:14)
Cap. 5: A Guerra (37:02)
Cap. 6: Fatos e Mitos (42:22)
Cap. 7: Aborto eugênico (1:02:30)
Cap. 8: Armas e métodos de aborto (1:17:00)
Cap. 9: Depois do aborto (1:20:07)

 ***
Conheça: 
http://loja.cursoscatolicos.com.br/index.php?route=product/product&product_id=52&tracking=52d056b7d50dc
 
 
 
Está correndo nas igrejas uma lista de assinaturas para uma "reforma política", com o logotipo da CNBB.
Se não leu as 23 PÁGINAS do projeto e nem a lista dos 99 organismos apoiadores, leia pelo menos um desses textos e saiba porque NÃO ASSINAR essa proposta:
  1. http://ocatequista.com.br/archives/13548
  2. http://www.midiasemmascara.org/artigos/governo-do-pt/15360-2014-07-29-22-25-37.html
  3. http://pensararealidade.blogspot.com.br/2013/12/reforma-politica-pode-se-tornar-golpe.html
Atualização: Esse nosso alerta causou reações desfavoráveis de alguns poucos leitores, que julgaram que somos contra a CNBB. Como isso é falso, ler:

sábado, 9 de agosto de 2014

Estamos inscrevendo para a 6ª turma do Curso de Iniciação Bíblica.
O curso inicia em 20 de agosto.
Mais detalhes e inscrição aqui: http://www.cursoscatolicos.com.br/2013/07/curso-de-iniciacao-biblica.html

Sorteio de livro

Sortearemos entre os inscritos um livro "Curso bíblico para leigos: a riqueza da Palavra de Deus. Antigo e Novo Testamento", do Pe. Antonio Rivero, LC, lançamento da editora Martyria:
http://www.cursoscatolicos.com.br/2013/07/curso-de-iniciacao-biblica.html

http://loja.cursoscatolicos.com.br/cursobiblico-antoniorivero

Este livro é um curso em 33 lições ou temas de introdução à leitura e estudo bíblico, onde se pode estudar sobre os autores da Bíblia, alguns acontecimentos históricos, as formas literárias em que foi escrita, interpretação, entre outras coisas.

O livro está em promoção de lançamento durante o mês de agosto, no site da editora.

domingo, 3 de agosto de 2014

Leia na íntegra em: http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/concilio-vaticano-ii/diversos/711-carta-circular-sobre-o-sinal-da-paz-na-santa-missa-congregacao-para-o-culto-divino-e-a-disciplina-dos-sacramentos

Esta é uma resposta dada à Conferência Episcopal Espanhola pelo Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.
Não introduz nenhuma novidade, mas deixa claro alguns pontos que muitos padres, bispos e equipes de liturgia teimam em não entender.

Destacamos:
6. b) Baseado nas presentes reflexões, pode ser aconselhável que, com ocasião da publicação da terceira edição típica do Missal Romano no próprio País, ou quando se façam novas edições do mesmo, as Conferências considerem se é oportuno mudar o modo de se dar a paz estabelecido em seu momento. Por exemplo, naqueles lugares em nos quais se optou por gesto familiares e profanos de saudação, traz a experiência destes anos, poderiam-se substituir por gestos mais apropriados.
c) De todos os modos, será necessário que no momento de dar-se a paz se evitem alguns abusos tais como:
- A introdução de um "canto para a paz", inexistente no Rito romano.
- Os deslocamentos dos fiéis para trocar a paz.
- Que o sacerdote abandone o altar para dar a paz a alguns fiéis.
- Que em algumas circunstâncias, como a solenidade de Páscoa ou de Natal, ou Confirmação, o Matrimônio, as sagradas Ordens, as Profissões religiosas ou as Exéquias, o dar-se a paz seja ocasião para felicitar ou expressar condolências entre os presentes.
Baseado em 3 comentários. 


Créditos imagem: http://ocatequista.com.br/?p=6358
Questão de um aluno do curso de Iniciação Teológica (www.cursoscatolicos.com.br):

"O milagre da multiplicação dos pães é muitas vezes citado por alguns Padres em suas homilias, como um ato simbólico, onde Jesus apenas orienta  o povo a partilharem e  se organizarem como comunidade. È correto interpretar os milagres de Cristo como simbolismo, ou esta prática é permitida somente em parábolas? "

Nossa resposta:

Os relatos dos milagres têm a função de confirmar a divindade de Cristo e sua missão, tanto que S. João chama de "sinais". Esvaziá-los de sentido real é acusar Jesus de charlatanismo, porque são os milagres que impressionaram o povo e as autoridades da época.

... vê-lo a Ele é ver o Pai (cfr. Jo. 14,9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição... (DV 4)

Sem dúvida também têm um sentido metafórico, mas este foi querido e muitas vezes explicado nos próprios Evangelhos.
No caso específico da multiplicação dos pães, antecede e prefigura a Eucaristia, como explica o Catecismo (1335):
  Os milagres da multiplicação dos pães, quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão, prefiguram a superabundância deste pão único da suaEucaristia (167). O sinal da água transformada em vinho em Caná (168) já anuncia a «Hora» da glorificação de Jesus. E manifesta o cumprimento do banquete das núpcias no Reino do Pai, onde os fiéis beberão do vinho novo (169) tornado sangue de Cristo.
 O sentido literal do texto sagrado é o primeiro e mais importante. Entenda-se, porém:



É não apenas legítimo mas indispensável procurar definir o sentido preciso dos textos tais como foram produzidos por seus autores, sentido chamado de « literal ». Já são Tomás de Aquino afirmava sua importância fundamental ( S. Th., I, q.l, a. 10, ad. 1).
Não é o caso, nos Evangelhos, que se constituem de narrativas, tentar encontrar sentidos escondidos. Dizer que a multiplicação dos pães foi feita a partir do que cada um levava é dizer sem base nenhuma. Não há contexto para isso. Os textos dizem que os discípulos distribuiam (eles é que distribuiam), todos comiam "tanto quanto queriam", se saciaram, colheram doze cestos "com os pedaços dos cinco pães".
Esses detalhes são colocados no texto para fundamentar o milagre, não a partilha.

No texto de S. João, é mais interessante ainda que a multiplicação conta entre os sete sinais (milagres) e que é ele, o 4º sinal, que abre o capítulo 6, o discurso sobre a Eucaristia. Logo em seguida, é narrado o caminhar sobre as águas (5º sinal).
Temos então:
  • um sinal de poder sobre a matéria do pão
  • um sinal de poder sobre a matéria do próprio corpo
  • um discurso sobre o pão do céu, carregado de "Eu sou" (o nome de Deus)
6º sinal é a cura do cego de nascença: seus olhos foram abertos para que reconhecesse e confessasse o Filho de Deus, Luz do mundo. É cegueira espiritual não reconhecer o Cristo e seu poder.
7º sinal é a ressurreição de Lázaro.

Portanto, Aquele que tem poder sobre a matéria (pão), sobre seu próprio corpo, a ponto de ressuscitar dos mortos, pode transformar pão em seu Corpo ressuscitado.

sábado, 2 de agosto de 2014

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Partindo da base, o BATISMO, temos basicamente três estados de vida, modos de viver a vocação cristã:


  • o laicato - a vida consagrada - as ordens sagradas

Leigos são todos os batizados que não são religiosos ou ordenados (bispos, padres, diáconos). Têm como missão própria viver o projeto de Deus em todos os ambientes, com todas as obras, preces, vida familiar e trabalho cotidiano. Anunciam Deus ao mundo mediante o testemunho de vida e da palavra. Os fiéis leigos intervêm diretamente na vida política e social e colaborando com todos, como autênticas testemunhas do Evangelho e agentes de paz e de justiça.

Os religiosos, homens ou mulheres, são aqueles que decidem seguir Cristo com maior liberdade e imitá-lo mais de perto, consagrando, cada um a seu modo, a própria vida a Deus. Trabalham exclusivamente para levar a mensagem de Cristo, abrindo mão de possuir bens próprios, de constituir família e sendo obedientes à Igreja e aos superiores. Podem ser padres, irmãos ou irmãs, ou leigos consagrados (oblatos, ordens terceiras, novas comunidades); é, por isso, um estado peculiar "intermediário", que pode conter leigos ou ordenados.

A hierarquia da Igreja, propriamente dita, é formada pelas ordens sagradas.
Pertence à hierarquia da Igreja aquele que recebe o sacramento da ordem num dos três graus: diaconato, presbiterato ou episcopado.
  • o diácono serve a Igreja na caridade, na liturgia e na Palavra. Pode ser transitório (será ordenado presbítero posteriormente) ou permanente (casado ou celibatário). Suas funções específicas são servir diretamente ao bispo (mas também o presbítero) na liturgia, organizar o serviço da caridade, pregar, realizar os sacramentais (bênçãos diversas, exéquias), ministrar o batismo e assistir aos matrimônios.
  • o presbítero e o bispo exercem o sacerdócio em Cristo:
      • O bispo é sucessor direto de um dos Apóstolos. Têm como missão serem testemunhas do ensinamento de Cristo, ensinando, santificando e servindo o povo de Deus, como fizeram os Doze Apóstolos. Os bispos tornam-se responsáveis por uma parte dos fiéis, de uma região chamada diocese.
      • Os presbíteros (padres) são os colaboradores dos bispos. Acompanham mais de perto o povo, servindo-o com a oração, a pregação, as celebrações, principalmente a Santa Missa.
Os restantes títulos todos pertencem a uma das classes acima, representando sua função na Igreja ou algum título de honra. Entre eles se destacam:
  • O Papa. Dentre os Apóstolos, Jesus escolheu um para ser o líder: Pedro. Dentre os bispos do mundo inteiro, um é escolhido para ser o líder de toda a Igreja: o Papa, bispo de Roma, que é sucessor direto de Pedro. Sua missão é confirmar e unir todos os bispos e todo o povo numa só fé e num só ensinamento.
  • Os Cardeais são colaboradores diretos do Papa. É um cargo de nomeação que o Papa faz a qualquer ordenado, mas que normalmente, para melhor desempenho de sua função, antes ou depois da nomeação, é um bispo. O Cardeal pode exercer o seu ministério sacerdotal na sua diocese de origem, mas é também incorporado ao clero de Roma, recebendo, por isso, uma das paróquias romanas. Poderá ser cardeal diácono, cardeal presbítero ou cardeal bispo (são títulos para indicar sua posição no clero de Roma, não a sua ordem sacra).
  • O Arcebispo é um bispo de uma importante (arqui)diocese, superior de uma Província eclesiástica (grupo de dioceses).
  • O Monsenhor é um título honorífico concedido pelo bispo a alguns de seus padres. Pela sua importante função na diocese, recebem esse título, normalmente, os Vigários Gerais (auxiliam o bispo no governo da diocese) e Judiciais (tribunais eclesiásticos).
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014


Vocação é o chamado que Deus faz a uma pessoa para um estado ou modo de vida, segundo os planos de sua providência. Em virtude disso a vocação é um mistério, e só pode ser vista a partir da fé. Ela é sobretudo uma eleição. Para Deus, chamar equivale a eleger (Rm 9,11). Uma eleição que não tem outra explicação senão que a livre iniciativa divina.

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O desejo interior e desinteressado de abraçar o estado religioso é um autentico chamado divino, por ser um desejo que supera a natureza, e deve ser seguido no mesmo instante; hoje como ontem são válidas as palavras de Jesus na Escritura: “Se queres ser perfeito vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres” (Mt 19,21).

A vocação é, portanto, algo sobrenatural. E os que a vê em com olhos puramente humanos, ou pior ainda, mundanos, não a podem entender. A vocação não surge por decisão do homem, não se descobre fazendo um teste de orientação profissional, não nos pode ser mostrada por um psicólogo, um psicopedagogo, nem nenhum educador do mundo. É um chamado de Deus, e, portanto, se escuta quando se escuta a Deus: quando se reza, quando se faz silêncio interior.

Sinais de Vocação

Detalhes em: http://verboencarnadobrasil.org/sinais-de-vocacao/

1. Insatisfação pelas coisas do mundo
    - Temor de se condenar se continuar vivendo no mundo.
    - Consciência da vaidade e da fugacidade das coisas do mundo.
2. Horror ao pecado.
    - Forte desejo de levar uma vida de pureza.
3. Disposição à entrega, ao sacrifício, ao esforço para ajudar espiritualmente aos outros.
    - Espírito de generosidade para com Deus
4. Atração pela oração e pelas coisas espirituais.
5. Desejo de consagrar a vida pela conversão de uma pessoa querida e, também, pelo resto dos homens.
6. Desejar ter a vocação.
7. Temor de ter vocação.

Enganos e obstáculos contra a Vocação

Podemos dizer que, em geral, as dificuldades provêm de três setores: 1º- Dos homens mundanos, 2º- dos familiares carnais e, 3º- do próprio candidato. Embora muitas vezes as dificuldades se alternam.

1. Pedir conselho a muitas pessoas e deixar passar muito tempo, ou seja, a tentação da demora.
2. Dos próprios familiares quando não o aceitam e põem obstáculos.
3. Não achar-se digno da vocação.
4. Achar que não tem as qualidades para ter vocação.
5. Achar que porque é pecador Deus não pode chamá-lo.
6. Achar que porque existem padres e religiosos ruins, então não pode ter vocação.
7. Achar que porque tem gostos e aptidões por outras coisas não pode ter vocação.
8. Achar que como leigo pode fazer igual ou maior bem que como consagrado.
9. Escusar-se afirmando que se pode servir a Deus em qualquer lugar.
10. Achar que porque namora não pode ter vocação.
11. Achar que tem que esperar e ficar retardando a resposta.
12. Achar que tem que ter uma certeza ou segurança total com respeito a vocação.
13. Doer-se por ter de deixar tudo e ficar sem nada.
14. Achar que a vocação é uma fuga ou evasão de algum problema.
15. Imaginar que só pode realizar-se casado e não como consagrado.
16. Pensar que não tem vocação porque não a sente.
17. Não se consagrar a Deus pelo medo de depois abandonar a vocação ou de ser infiel.
18.  Justificar-se dizendo que gostaria de ter esposa e ter filhos.

O que fazer?


Não devem duvidar de sua vocação aqueles a quem tem sido inspirado o desejo de ingressar na vida religiosa.

Somente lhes cabe pedir conselho em dois casos: um, com respeito ao modo de entrar, e outro, com respeito a alguma trava especial que lhes apresentar o fato de tomar o estado religioso. Em tais casos, sempre se deve consultar a homens prudentes que com juízo sobrenatural (e não movidos pela paixão) possam ajudar ao discernimento da vontade de Deus. Nunca aos parentes, pois não entram neste caso na categoria de amigos, senão que na de inimigos da vocação, segundo o que disse o profeta Miquéias que os inimigos do homem são seus familiares (7,6), frase que cita nosso Senhor em São Mateus (10,36).

Só se deve consultar com um sábio e prudente diretor espiritual ou confessor. Vai tratar de santidade com um homem sem religião e de justiça com um injusto… Não tomes conselhos destes sobre tal coisa, senão que trata de contínuo com o varão piedoso (Eclo 37,12) ao qual se deve pedir conselho se houvesse neste caso algo que se necessite consultar.

Como responder a vocação

1.      Com prontidão.
2.      Com generosidade.
3.      Com heroísmo.

 Baseado em 1 comentários.

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